Após reforma Kameha Meha estreia na Copa Mitsubishi 2025
O clássico Columbia 43 Kameha Meha retorna à Copa Mitsubishi restaurado, após meses fora d´água, um processo complexo que teve como ponto principal a segurança, conforme conta Xavier Stump, um dos sócios do barco:
“O Kameha Meha é um veleiro de 1973 e o cuidado com um clássico tem que ser maior, até em função do material usado à época, que exige mais atenção. Nessa manutenção fizemos a repintura total do barco, mexemos na teca, arrumamos o mastro e otimizamos as catracas.
Nossa prioridade foi a segurança. Trocamos os brandais e os estais, percebemos a oxidação dos parafusos prisioneiros da quilha e refizemos estes prisioneiros, manutenções cruciais para manter a segurança da navegação”, conta Xavier.
Naturalmente, com a manutenção essencial, a equipe aproveitou para também mexer nas velas. Agora o Kameha Meha conta com novos balões (assimétrico e simétrico) e duas novas genoas.
“Apenas a nossa mestra hoje é um pouco mais antiga. E também há algum tempo já havíamos trocado os estais de força lateral por baby estais. Isso trouxe mais agilidade para a cambagem nos bordos, facilitando as manobras, ideia do mestre Gaby um dos sócios” nos conta Xavier, que apesar de afirmar ter pouca experiência em regatas já atrevessou o Atlântico e foi velejando para a Antártica, dentre outras viagens “de cruzeiro”.
Mas a poica vivência de Xavier em regatas não atrapalha a performance do barco, como ele mesmo relata: “O Kameha Meha é velejado por um grupo diverso: há velejadores experientes, muitos deles medalhistas e competidores de alto nível, e há também quem, como eu, entrou há poucos anos no mundo da vela, trazendo mais curiosidade e paixão do que técnica. Mas essa diferença, longe de nos separar, é justamente o que faz o barco andar”.
O Kameha Meha, ainda não velejou a Copa Mitsubishi neste ano e terá a missão de encarar outros veleiros clássicos que dão um charme especial à raia.
No acumulado após duas etapas, o Morgazek, de Michelle D´Ippolito é o atual líder. Em segundo vem o Fuga III, de Robinson Leite e na terceira colocação o Tango, de Átila Bohn, Completam a lista dos clássicos o Brazuca, de José Rubens Bueno e A Valente, de Adriana Merino.
Como menciona Xavier Stump em um texto de sua autoria sobre o Kameha Meha, “Alguns barcos cruzam os mares movidos apenas pelo vento. Outros, como o Kameha Meha, navegam também impulsionados por histórias, encontros e uma amizade que se fortalece a cada regata”.
Clássico Columbia, fabricado nos Estados Unidos em 1973, ele carrega não só um pedigree náutico, mas também um projeto humano singular — um coletivo de oito amigos que compartilham um mesmo barco, mas olham o mar com olhos diferentes.
O Kameha Meya é velejado por um grupo diverso: há velejadores experientes, muitos deles medalhistas e competidores de alto nível, e há também quem, como eu — Xavier —, entrou há poucos anos no mundo da vela, trazendo mais curiosidade e paixão do que técnica. Mas essa diferença, longe de nos separar, é justamente o que faz o barco andar.
O projeto não é apenas sobre o veleiro em si, mas sobre a forma como ele é vivido. Cada um dos oito sócios traz sua contribuição única, em experiências, decisões, turnos e sonhos. Todos profundamente engajados com o mesmo propósito: levar o Kameha Meya para competir nas regatas clássicas, onde veleiros com história desafiam o tempo e o mar.
Nosso histórico é de respeito. Primeiro lugar na Semana de Vela de Ilhabela, classe Clássicos. Outras vezes, segundos lugares, pódios frequentes em regatas como a Mitsubishi, Ubatuba, Ilhabela, e por aí vai. Mas talvez o maior troféu que conquistamos seja a forma como velejamos: juntos. Com escuta, paciência, disciplina, entrega e muitas risadas.
O Kameha Meya é, sim, um veleiro campeão. Mas seu maior feito talvez seja mostrar que é possível cruzar a linha de chegada vitorioso sem abrir mão do essencial: a alegria de velejar entre amigos. No fim das contas, não é o vento que decide o rumo, mas a união da tripulação.
E assim seguimos, mar adentro, sempre rumo ao próximo desafio — com a alma leve, o espírito afiado e a certeza de que cada travessia vale não só pela chegada, mas por quem está a bordo“.

